Saúde pública

Os que o Ébola mata à nascença

Até hoje não se conhece nenhum filho de uma mulher infectada com Ébola. Nem nesta, nem nas anteriores epidemias. As crianças não sobrevivem. Morrem ainda na barriga da mãe, à nascença, ou logo depois. Geralmente, a mãe também morre.

Ainda não se sabe bem porquê, mas a infeção com Ébola na gravidez é particularmente perigosa. Para as mulheres, para os fetos e para quem faz o parto ou trata do aborto. A organização Médicos Sem Fronteiras abriu um centro para tratamento de grávidas infetadas na Serra Leoa. Há uma única sobrevivente.
 
A mulher que aparece na foto acima é Lumatu Samura e é a primeira sobrevivente no novo centro para grávidas que abriu em Dezembro na Serra Leoa. A criança ao colo de Lumatu, não é a seu filha, essa morreu antes de nascer. Lumatu só pode ter nos braços esta criança de 8 meses, é filha da sua irmã e também está a braços com o vÍrus. Lumatu decidiu ficar na clínica a tratar da sobrinha, afinal é uma sobrevivente do Ébola, logo, tem alguma imunidade.
 
Não há qualquer prova científica de que as mulheres grávidas são mais vulneráveis ao vírus, a realidade, no entanto, aponta para taxas de mortalidade acima dos 95%. Um estudo realizado na República Democrática do Congo envolveu 105 mulheres grávidas e só uma sobreviveu. A maioria sofreu abortos, as grávidas morreram no espaço de 10 dias. Convém, no entanto, lembrar que as taxas de mortalidade são muito altas nesta parte do mundo.
 
“As razões para estas mortes parecem estar relacionadas com o parto ou com o facto de o feto morrer durante a gravidez”, diz à BBC Greg McAnult, um dos médicos da MSF que tratou Lumatu na Serra Leoa. “O prognóstico para o feto é terrível, parece ter uma maior concentração do vírus. Mesmo quando sobrevivem ao parto tendem a morrer logo depois. É uma situação terrível, temos uma mulher em risco de vida e uma criança que invariavelmente vai morrer.”

Benjamin Black, também ao serviço da Médicos Sem Fronteiras, na Serra Leoa, está a investigar a melhor forma de tratar grávidas com Ébola. Em declarações à BBC afirma “sabe-se muito pouco sobre a forma como o vírus atua na gravidez. O Ébola é  atraído para algumas células do sangue. Acontece que a placenta tem um grande número dessas células, multiplicam-se e passam para o bebé.”Os profissionais de saúde têm de redobrar as medidas de protecção quando tratam grávidas infetadas. A carga viral no sangue é alta e as hipóteses de contacto acidental com os fluídos aumentam.

Foto: MSF (Médecins Sans Frontiéres)

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