Saúde pública

Herbicida que mais usamos é provável causa de cancro

Para a OMS, há provas suficientes de que o glifosfato (mais conhecido pela marca Roundup) causa cancro em animais e pode ter o mesmo efeito nas pessoas. É o herbicida mais usado em Portugal.

Foram revistos estudos antigos e há dados novos que levam a Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC), uma agência da Organização Mundial de Saúde, com sede em França, a considerar que o glifosato é provavelmente cancerígeno para os seres humanos.

“Provavelmente cancerígeno” significa, na terminologia da organização, que há relação entre a exposição ao herbicida e o aparecimento do cancro, mas não se podem excluir outras causas. Significa também que a relação já foi confirmada em testes com animais.

O glifosato é o herbicida mais produzido no mundo. É usado na agricultura, nas florestas, no tratamento de espaços urbanos e em jardins. Em Portugal é de uso corrente e aconselhado pelo Ministério da Agricultura, por exemplo, no tratamento de vinhas.

O glifosato mata todas as plantas em que toca, e como tal é considerado eficaz para eliminar ervas daninhas. Tão eficaz que a maioria das plantas geneticamente modificadas foram alteradas para resistir, precisamente a este herbicida. Um dos principais produtores de glifosato, a multinacional Monsanto, vende sementes de plantas geneticamente modificadas para serem resistentes ao seu próprio herbicida.

Segundo a Agência Internacional para a Investigação do Cancro, o glifosato tem sido detetado no ar durante pulverizações, na água e em alimentos. A IARC refere que os níveis de exposição ao herbicida são geralmente baixos para a população em geral,  quer seja pelo uso doméstico ou pela contaminação de alimentos. Estão mais expostas as pessoas que vivem perto de zonas agrícolas pulverizadas com o herbicida.

A marca comercial mais conhecida é a Roundup, da Monsanto, mas o glifosato é produzido por várias empresas, incluindo a portuguesa SAPEC.

A  Plataforma Transgénicos Fora, que reúne várias organizações ambientalistas exige em comunicado que os governos, e o português em particular, proibam este herbicida. A decisão, no entanto, cabe em primeiro lugar à Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA).

A Monsanto, por seu lado, aguarda resposta um pedido de reunião urgente com os responsáveis da IARC e afrima que décadas de pesquisa garantem que os seus produtos são seguros para os seres humanos.

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