Políticas

Privados crescem nos cuidados mais “leves”

Os dados do INE sobre a saúde mostram que há um aparente “outono” do setor público e uma “primavera” das unidades privadas, mas são os hospitais do estado a fazer o mais caro e o mais difícil.

Portugal  tem mais 11 mil médicos e mais 24 mil enfermeiros que há 11 anos. Entre encerramentos de velhos e abertura de novos,  o número de hospitais públicos (119) acaba por se manter exatamente igual entre 2002 e 2013(6 são hospitais militares ou prisionais) .  Na Madeira e nos Açores, onde há autonomia no setor da saúde, já são mais os hospitais privados que os públicos.

No continente só cresceram os privados, (94)  mais 13 que em 2012. Mesmo assim, feitas as contas a nível nacional, juntando privado e público, todo o país tem menos camas para internar doentes. Desapareceram 1.659 camas. O aumento de lugares de internamento nos hospitais privados (+2.045) não chegou para compensar os encerramentos dos hospitais públicos (-3.700 camas).

E para que servem as camas de internamento de um e de outro lado. Mais de 80% dos portugueses são internados em hospitais públicos. As grandes e médias cirurgias, que exigem mais meios técnicos e profissionais, a esmagadora maioria (3/4)continuam a ser feitas nos hospitais do estado.  São também os públicos que dão mais espaço para os cuidados intensivos,991, enquanto o privado dedica apenas 192 camas a este fim. O mesmo se passa nos cuidados intermédios onde a diferença é de 588 camas públicas para 63 privadas. Ao nível da especialização também temos o caso das unidades de queimados: 35 são em hospitais públicos, os privados só têm 8.

Onde o setor privado tem vindo a ganhar terreno é ao nível das consultas de especialidade, alguns meios complementares de diagnótico e de terapeutica,  mas mesmo assim,  à excepção da fisioterapia que está 91% entregue aos privados, é nas unidades públicas que se concentram entre 70 a 80% destes cuidados.

O mesmo se passa com as urgências, embora seja aqui que a resposta de setor público tem vindo a faltar cada vez mais. Quando os dados do INE entram nos cuidados primários de saúde, é claro o corte de respostas entre 2002 e 2013: menos 2 milhões e 300 mil consultas médicas; menos 1 milhão e 600 mil atendimentos de urgência e menos 4 mil internamentos. Os dados do Instituto Nacional de Estatística não incluem a resposta do setor privado nesta área.

Pelo negócio dos medicamentos, a propagada crise das farmácias não se nota – abriram mais 301. Já os postos móveis de medicamentos, importantes para as populações mais idosas, isolada e com dificuldade de deslocação, desapareceram quase metade, 151.

Medicamentos, há cada vez mais variedade, nestes 11 anos entraram no mercado mas 2.454 novas marcas de medicamentos e duplicou para quase 60 mil o número de apresentações.

Nesta década, os serviços de saúde mostraram-se eficazes nos cuidados neonatais: a mortalidade infantil, crianças até 1 ano, reduziu-se em quase 50%; a mortalidade neonatal (até aos 28 dias) be, como a mortalide fetal, cairam quase 60%.

As doenças do aparelho circulatório continuam a ser a maior causa de morte no país, mas o número de óbitos foi reduzido em 23, 1%, face a 2002. No sentido contrário, em 2013 morreram de cancro 25.920 pessoas, mais 16,4% que em 2002. As vítimas são sobretudo homens com mais de 65 anos. Os tumores malignos mais frequentes têm sido os da laringe, traqueia, brônquios e pulmão.

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